Criança com celular na mão é bicho feroz, meu irmão!!

11/07/2018

    ***(Entregar um smartphone a uma criança é tão danoso quanto entregar as chaves do carro aos filhos sem carteira de habilitação)***

Inicio aqui nesta linda e expressiva rede social, textos e textões de conteúdo voltado para aquilo que pretendo seguir: psicologia/psicanálise e relações humanas, tendo em vista que não sou cientista político para opinar sobre o momento atual brasileiro (mesmo sabendo que política e psicologia andam juntinhas, por vezes).

Pois bem. Neste textão discorro sobre um problema da nossa era contemporânea: A exposição precoce de crianças ao mundo virtual.
Se a desinformação é um dos fatores que contribuem para o despreparo de muitos, espero que aqui você possa encontrar algo que ajude ao menos a entender sobre os riscos e consequências da interação de crianças com redes sociais e a internet de modo geral.
Claro que não pretendo resolver o problema que está infinitamente além da minha capacidade. Porém, posso apenas indicar um caminho ou alertar a amigos e amigas, pais e mães, para a forma como estão lidando com seus filhos nesse quesito.
É óbvio também que, como não sou pai, não tenho a prática necessária para dizer-lhes o que deve ser feito da educação de seus filhos. Mas, como diz a frase: nada é tão prático quanto uma boa teoria.

As crianças da última década tem crescido sob uma influência enorme do mundo virtual. Desde pequenas, da faixa de 02 anos de idade, esses bebês são expostos, fotografados, filmados, colocados frente aos tablets e smartphones para assistir desenhos animados e interagir. Há quem negue, mas essa interação é sentida e entendida por eles.
Ao meu ver, é um erro grave colocá-los diante de um dispositivo imensamente complexo e atrativo tais quais são os aparelhos e conteúdos de internet.
Para tudo existe um tempo e orientação. Para aprender a andar de bicicleta, é necessário saber o que é a bicicleta, saber o que são os pedais, o guidom e como se pedala.
O que os pais contemporâneos estão fazendo é colocar a bicicleta para a criança descobrir sozinha o que é.

Deixar seu filho manusear o tablet ou o celular aos 3 anos de idade não vai fazê-lo se tornar o Steve Jobs ou o Einstein. As crianças podem aprender qualquer coisa que lhes for imposta desde cedo, pois como sabemos, a mente está nova pronta para apreender rápido qualquer coisa.
Os aparelhos tais quais smartphones ou tablets, devem ser vistos como o são: meros aparelhos de consumo e usufruto.
Entregar um smartphone a uma criança é tão danoso quanto entregar as chaves do carro ao filho sem carteira de motorista.
Esses aparelhos são o moderno pirulito, só que dez vezes mais supervalorizado e que, no desespero de despreparo dos pais, se coloca na boca da criança quando ela faz muita birra e envergonha em público.
A criança pode e deve possuir tais aparelhos, até porque seria tolice impedir os filhos de usá-los na nossa era digital. A questão é que assim como a bicicleta, o vídeo-game e a mesada, a criança precisa merecer, ter a maturidade e a responsabilidade para possuir tais coisas.

Não adianta pedir para a criança desligar o computador (impor limites) se na cama ele vai ficar com o celular escondido e continuar olhando a internet. Por isso reitero que é desde cedo que se constrói uma relação saudável da criança com o meio ambiente, expondo-a gradualmente ao mundo lúdico, aos brinquedos, aos desenhos animados, e assim por diante.
Não importa o quão eficiente, práticos e cômodos são os dispositivos eletrônicos. Eles não podem ser a regra da interação e lazer da criança, principalmente porque naturalmente eles são muito atrativos. Entre um boneco e um tablet com desenhos animados na tela, qual destes dois você acha que os pequenos vão jogar no chão??

Para piorar a situação, existem as redes sociais, que avançam uma etapa demasiadamente crítica para o desenvolvimento mental da criança e do adolescente: a interação com o desconhecido. Os pais que jogavam os filhos no cursinho de reforço para terem o dia livre, agora tem aliados de peso para poderem sentir-se mais "livres": facebook, twitter, instagram e youtube.

DIGA-ME COM QUEM NAVEGAS QUE EU TE DIREI QUEM ÉS

Antes fossem "as más companhias" os maiores vilões nos casos de indisciplina e vício de crianças e adolescentes. As redes sociais, os sites e os youtubers são mais perigosos do que se imagina.
Os pais que deixam os filhos livres a navegar pela rede não sabem ou não dão atenção ao perigo da interação com pessoas desconhecidas, de diversas partes do mundo.

Não adianta dizer ao filho que afrontar os pais é errado quando o youtuber preferido dele diz que afrontar os pais é necessário, ou é um "atitude de autonomia". Os filhos, como bem sabemos, costumam valorizar muito o que os amigos dizem, fazem ou os induzem a fazer. Sabendo que os pais nunca vão abandoná-los, eles fazem toda sorte de birras e revoltas, mas nunca contra os amigos. No mundo virtual, a ingenuidade e a ignorância são presas fáceis.

Some a isto a ignorância dos pais em lidar com redes sociais, sites e o despreparo para saber impor limites.
Claro que este sintoma que falo não é geral, mas é uma grande maioria.

O QUE FAZER??
"Acho feio tudo que não é selfie" - (Narcíso do século XXI)**

Esteja sempre um passo a frente da criança. Saiba mais do que ela em termos de interação, manuseio e conhecimento de sites e aparelhos.

Não é preciso ser gênio para saber como lidar diante da questão. Se você está disposto a inserir a criança em um ambiente até então impróprio para a tenra idade dela, então esteja disposto a guiá-la e ensiná-la sobre os riscos dessa interação: Bullying virtual, Bullying em forma de memes com fotos da pessoa, frustrações e humilhações com pessoas mais inteligentes que ela, além dos mais comuns: aliciadores, pedófilos e hackers.

Os limites impostos a eles valem também para o mundo virtual, claro. Portanto é preciso estabelecer uma boa relação de confiança e comunicação com a criança, porque ela precisa antes de tudo ver os pais como porto seguro, como melhores amigos e como os maiores provedores de conhecimento que ela tem, ao invés da Wikipédia. Além disso, fazer que a internet seja um dos meios de lazer ou auxílio e não o principal. A interação precoce tem seus riscos e o vício da interação virtual pode gerar o isolamento, como já sabemos.

É bem sabido também que de um jeito ou de outro a criança vai conhecer o facebook, o instagram, o twitter e os sites pornô. A questão é estar sempre presente ao lado dela, mostrando que também sabe o que é toda essa novidade e mostrando o lado bom que a internet pode oferecer.

Mas ressalto: Só vai haver poder de voz e de autoridade (não autoritarismo) sobre a criança, se houver um boa relação de confiança e diálogo.
Por isso tudo e muito mais digo: toda interação e exposição é sentida e apreendida, até mesmo a nível inconsciente. Sejamos vigilantes e prudentes com as crianças, pois a internet é um ambiente por vezes inóspito e pode ser prejudicial a elas, contra todos os possíveis benefícios.
E como bem dizem "a internet não perdoa."
#caalmaésóminhaconvicção

PS: Este texto, até mesmo para mim, autor dele, soa como aquela história do beija-flor tentando apagar o incêndio na floresta levando uma gota no bico. Mas eu faço questão de levar essa pequena gotinha de informação, porque ainda assim ela pode fazer toda a diferença.